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Dicas de aclimatação para minimizar o mal da montanha

Ir para lugares com grande altitude requer alguns cuidados. Compartilho com vocês minha experiência no alto das montanhas, para minimizar os efeitos negativos e evitar o famoso "mal da montanha"

06 Mar2020

Um dos grandes programas para viajantes de todos os tipos é a altitude das montanhas da Cordilheira dos Andes. Eu sou um daqueles caras que fica horas e horas conversando sobre viagens sem perder o entusiasmo, e nesses papos, ouço relatos de diversas pessoas que tiveram dificuldade sob os efeitos da altitude.

Bem antes de mais nada, é preciso dizer uma coisa. Cada corpo, cada organismo, se  comporta de uma maneira diferente perante a altitude. Ouço relatos de pessoas bem preparadas fisicamente sofrendo demais, e sedentários fazendo seus passeios tranquilamente a grandes altitudes.

Os principais sintomas

Se você estiver sofrendo do mal da atitude, pode ter certeza, o corpo acusa. Os principais sintomas visíveis são:

  • dores de cabeça (cefaleia);
  • flatulência;
  • facilidade de ir aos pés;
  • aumento da frequencia carídiaca;
  • enjoos;
  • falta de apetite.

Eu, particularmente, tenho dores de cabeça, principalmente com a troca de altitude repentina.

Além disso, preciso reforçar. Não sou médico e tudo o que conto aqui é minha experiência em ir para as montanhas. Se seu corpo acusar algum sintoma de maneira acentuada, não existe em procurar um médico.

A minha experiência na altitude

Eu, particularmente, sofro muito com a troca repentina de altitude. Tive 4 experiências  de montanhismo que estive a 5600m de altitude, durante as expedições Huayna, Cerro Plata e Atacama.

Há quem pergunte: falta muito ar lá em cima? Não, ar não falta. Falta fôlego. Por incrível que pareça, tem diferença. Imagine você fazendo uma corrida em que você aguente 3 quadras sem parar. Lá em cima, você aguenta 1 quadra e meia. O teu gás acaba mais cedo.

Como mencionei, o que mais me deixa com dores de cabeça geralmente é a troca repentina de atitude. Por exemplo, o Atacama é um lugar que sofro bastante. Isso, porque cruzar a cordilheira te expõe a uma troca de altitude muito repentina.

Poucos artigos dão atenção ao principal problema de grandes altitudes: a oscilação. Para mim, pelo que já vivi, a maior causa do mal da montanha é a troca repentina de grandes altitudes.

Para quem vem do Brasil, vai chegar em Salta (1150m) que fica no pé da Cordilheira dos Andes. Logo depois, você vai a Purmamarca (2200m) em questão de 3h. Continuando por mais 1h, você vai começar a cruzar uma serra em que o topo dela fica a 4200m. E aí, por mais 1h, você desce até as Salinas Grandes que fica a 3400m. Aí você continua, começa a subir novamente por mais 2h30 e chega no Paso de Jama, fronteira Argentina/Chile (4200m). Entrando no Chile, você começa a subir o outro lado da Cordilheira dos Andes e chega a um pico de 4800m de altitude em um trecho da rodovia. E cerca de 1h depois, você chega a San Pedro do Atacama, que fica a apenas 2400m de altitude.Em um intervalo de 8h aproximadamente, você sobe e desce uma incrível altimetria de 7500metros de altitude, o que equivale a um prédio de 2500 andares! Não há organismo que aguente tanta oscilação de altitude. Então, os efeitos virão, e é normal. 

Por outro lado, quando fomos escalar o Cerro Plata (5943m), também na Cordilheira dos Andes, porém, na região de Mendoza (900m de atitude), a altitude não foi um problema. Isso porque tínhamos um plano muito bem desenhado de aclimatação, em que ganhávamos e perdíamos cerca de 500 a 700 metros de altitude por dia, o que nos fazia subir pequenas altitudes gradativamente, sem dar aquele “soco” no organismo. Foram 8 dias de expedição na montanha.

Dicas para minimizar o mal estar na montanha

  • Beba muita água: existem vários artigos sobre aclimatação, e uns dizem para beber 3L, outros, 4L e outros até 5 litros de água por dia. O certo é que a boa hidratação do corpo reduz drasticamente os efeitos da altitude. Além do ar ser mais seco, nosso organismo precisa de muita, muita hidratação.
  • Não consuma bebidas alcoólicas: primeiro, você bebidas alcoolicas causam desidratação. Segundo, porque o efeito do álcool na altitude é potencializado. Beber 1 cerveja na altitude equivale a 2 ou 3 cervejas no nível do mar (experiência própria, nada científico). Ou seja, a gente fica bêbado muito mais rápido e, consequentemente, nosso organismo é afetado com maior impacto.
  • Não fume: problema sério para os fumantes aqui. O tabagismo afeta diretamente nossa capacidade pulmonar. A grandes altitudes tudo é potencializado, temos cada vez mais dificuldade de respirar, não porque não vem o ar, mas sim, porque nosso fôlego diminui drasticamente. Fumar impacta diretamente nisso. 
  • Se alimente bem: alimentação é peça chave para combater o mal da altitude. Assim, evite comer lanches ou fast-food e tente se alimentar com comidas saudáveis e que sustentem. 
  • Evite comidas muito salgadas: quando comemos algo muito salgado, dá sede, correto? Isso porque o sal em excesso causa desidratação. E tudo o que não queremos na altitude é desidratação. 
  • Dormir bem: ter uma boa noite de sono, dormir as 7 ou 8h por dia, é fundamental para que o corpo restaure as energias. Ou seja, esqueça festas até altas horas no(s)  dia(s) anterior(es) a ir para a montanha.
  • Beba chá de coca: li artigos que mencionam que não há nenhum efeito cientificamente provado do chá de coca contra os efeitos da altitude. O fato é que, mal ele não vai causar. Mas, a minha experiência, o chá de coca me salvou na altitude. Quando fomos escalar a montanha Huayna Potosí, de 6 mil metros, nós estávamos no acampamento base a 4800m, e eu estava explodindo de dor de cabeça. Praticamente não dormi de tanta enxaqueca, e quando fomos pro café, estava decidido que iria voltar prá La Paz, prá poder "baixar" altitude. Foi então que o guia me deu um chá de coca, com folha natural, muita folha e água quente. A dor sumiu em meia hora e logo depois estávamos subindo a montanha. Foi muito eficiente. 
  • Suba alto, durma baixo: um dos processos mais eficazes para combater o mal da altitude é ganhar altitude gradativamente. Numa viagem turística, de pacote de agências, isso é quase impossível. Mas se você consegue, é super eficaz e deve ser levado a sério. Por exemplo, quando subimos o Cerro Plata (5943m), não tive qualquer efeito, a não ser uma dor de cabeça muito leve no segundo dia. Por quê? Nós chegamos no "pé da montanha" a 2900m. Então, todos os dias, nós faziamos uma caminhada para uma altitude maior (3700m no primeiro dia, 4200m no segundo) e voltávamos a dormir a 2900m. É uma recomendação de todos os grandes montanhistas, e funcionou muito bem com a gente. 
  • Faça pequenas caminhadas diárias na altitude: aqui um ponto divergente entre tudo que já li e a minha experiência. A maioria dos artigos diz "não faça esforço físico". Discordo em partes. Concordo quando diz "não faça esforço físico extenuante". Mas pequenos exercícios, ajudam na aclimatação. É só ver em filmes e relatos sobre a famosa "pelada das montanhas", onde montanhistas jogam futebol no Himalaia como parte do processo de aclimatação. Nós, quando vamos para montanha, fazemos trilhas pequenas, diárias, para que o corpo seja exercitado e com isso auxilie na aclimatação. Então, para mim, funciona.
  • Soroche Pills: existe um remédio chamado Soroche ou Sorojchi, específico para combater o mal da montanha e é encontrado em farmácias (de cidades que ficam na altitude, no Brasil não vai achar). Eu tomei e pouco adiantou, o chá de coca foi mais eficiente. Mas como cada organismo reage de uma forma, é válido. Mas, por via das dúvidas, procure orientação médica.

 

Repito. Se seu corpo acusar algum sintoma de maneira acentuada, procure atendimento médico.

Espero ter ajudado. Se ajudei, faça um comentário ou nos escreva para que tenhamos um feedback do nosso artigo. 

Forte abraço!

 

 

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